O APAGÃO
Em outubro de 2003, dois
funcionários da companhia de luz local foram consertar um
duto na Ponte Colombo Sales, o único que trazia a luz para
a ilha. Para efetuar o conserto, eles levaram um maçarico e
um liquinho (espécie menor de bujão de gás) e é claro que
luz e gás não combinavam. O liquinho explodiu, os
funcionários se jogaram da ponte, e não se machucaram,
graças ao Grupo de Busca e Salvamento que fica embaixo da
ponte. A ilha, por sua vez, ficou 55 horas sem luz. No
começo até que achamos engraçado, mas à medida que o tempo
ia passando, que tínhamos que tomar banho frio, que a única
fonte de notícias era o rádio, à pilha, é claro (pelo menos
o Morro da Cruz tinha gerador próprio e a rádio CBN pôde
fazer uma programação especial), a paciência ia se
esgotando. O pessoal do Continente zoou que se acabou do
pessoal da ilha, e tivemos que cruzar a ponte pra comprar
lampiões, pilhas, lanternas e tudo o mais. No carnaval
seguinte, o povo daqui não deixou barato, e tudo acabou em
brincadeira: o nome de um camarote era “55 horas com a
pomboca acesa.” Ah, pomboca é como os antigos chamavam o
lampião. Nunca na história da ilha a Ponte Hercílio Luz
havia sido vista acesa apenas até a metade, na parte do
continente, é claro.